Fonte: Aliados Brasil
Veja na continuação o off desse capítulo, assim como algumas fotos.
Capítulo 01 - Aliados
Sou esse fruto que comi e sou a água e os minerais que
alimentaram aquele fruto. Sou também aquele que será mineral, que alimentará
outros frutos que alimentarão outros homens. Sou a que serei, a que fui, e a
que nunca deixarei de ser. Sou essa energia que vai mudando sem parar.
A existência não tem fim. Nasce, morre e volta a nascer.
Assim como se constrói e se destrói para voltar a construir.
A criação foi um ato violento... caótico. Por que vamos
pedir a humanidade que não seja violenta e caótica?
Os seres humanos são estranhas criaturas muito particulares.
No esforço para buscar a felicidade causam a si mesmos e aos que os rodeiam uma
grande infelicidade. Eles acreditam que o maior problema é a violência e o
ódio, mas o problemas que grave que eles tem é a indiferença.
Todos buscam esse algo que outros tem e que os promete a
felicidade a qualquer preço.
Vidas vazias de vida, cheias de um vazio profundo e
impossível de se encher.
Esta é Azul, tem 17 anos, é uma das cinquenta pessoas mais
famosas do país e está entre os cem jovens mais ricos da região. Azul é uma
carismática cantora pop amada por seus seguidores, com os quais é doce e
amável. Ou é esta Azul, a adolescente tirana que odeia todo mundo e sente
repulsa por seus fãs? Azul é esta estrela intolerante e desagradável? Ou esta
menina que cresceu em uma cidadezinha do interior, que amava cantar mas que
nunca sonhou chegar onde chegou? É esta jovem arrogante, ou aquela provinciana
amável e sonhadora? Azul é esta ou esta? Esta, ou esta, a que não se reconhece
no espelho? É esta, que tem sérios problemas alimentares? É esta jovem
milionária que acaba de se mudar para uma mansão gigante onde vive sozinha, com
uma piscina enorme que nem usa porque não sabe nadar? Qual delas é? É uma? É
todas? Ou não é nenhuma?
Franco tem 19 anos, e só sabe fazer duas coisas: dançar e
roubar. E apesar de roubar para viver, ele vive para dançar. Franco dança desde
muito pequeno dança. Dança, dança, sempre dança. Mas nenhuma de suas paixões
seriam possíveis sem uma ajuda, sem um sócio que lhe de coragem: o Fernet. O
Fernet o acompanha toda noite, todas as noites. O sonho de ir para a capital e
fazer sucesso não é só coisa dos cantores. Franco jamais saiu do lugar de onde
ele nasceu, a uns 200km da capital. O anseio de ter uma vida melhor dá mais
coragem que o Fernet. No entanto, as consequências podem ser graves. Seu irmão,
seu pai e seu avô... todos terminaram presos. Há um destino escrito para cada
um, e Franco está decidido a seguir o seu. Direto para o seu destino.
Maia tem 17 anos e leva o sobrenome de sua mãe, Pinedo, já
que nunca conheceu seu pai. Ao menos não pessoalmente só por fotos. Felix é um
tenista mundialmente conhecido, nos anos noventa esteve entre os dez melhores
no ranking mundial. Natalia, a mãe de Maia, teve a oportunidade de conhecê-lo
em um clube e conseguiu seduzi-lo com um claro objetivo. Felix se livrou do
problema com dinheiro, e o dinheiro durou pouco. Quando Maia cresceu, sua mãe
entendeu que agora podia viver se sua filha. Maia vive com sua mãe em um
trailer, o único patrimônio que Natalia não desperdiçou. Dentro daquelas
paredes quentes a vida de Maia é um inferno. Maia é esta garota maltratada e
humilhada? Ou é esta, que maltrata e humilha? É a vítima, ou o carrasco? É o títere,
ou o titeriteiro? É o lobo ou o cordeiro?
Ele é Manuel Ramirez, tem 15 anos. Uma voz única. Um artista
extraordinário. É um talento excepcional. E todo mundo poderia amá-lo... se o
conhecessem. É que ninguém, jamais, escutou Manuel cantar, porque ele só o faz
na intimidade de seu quarto. Ninguém sabe que Manuel tem uma voz
extraordinária, nem que tem mais de 20.000 seguidores na sua rede social
favorita. Nem que lidera o mundo em um jogo de estratégia na rede. Dentro das
paredes de seu quarto, ele é o rei do mundo. Fora de seu quarto, no mundo
exterior, é um adolescente triste e assustado. Em seu bunker está
hiper-conectado, tem amigos virtuais de todo mundo. O consideram um ídolo. Mas
amigos reais, de carne e osso, não tem nenhum. Todos tiveram uma grande
surpresa quanto Manuelito confessou que ele não era inteligente, mas sim que
tinha uma amigo que apenas ele via, que viva dentro do espelho e lhe soprava as
respostas. Sua mãe o levou em um psiquiatra. Depois de muitos anos, Manuel está
curado, já não te mais amigos no espelho. Mas também não os tem na vida. Quem é
Manuelito? É um artista extraordinário? Ou esse jovem essa vítima submissa de
bullying escolar? É o líder virtual dos jogos na rede? Ou é aquele menino que
acreditava ter um amigo vivendo atrás do espelho?
Valentin tem 12 anos e faz quase um dia que não come. Sua
mãe o abandonou em um orfanato poucos dias depois de nasceu. Valentin nem
sequer soube que tinha um irmão mais velho, nem porque sua mãe o abandonou mas
não a seu irmão. Para Valentin, o mundo se divide em dois: As pessoas ricas, as
pessoas que tem carros, tem casas, as pessoas felizes, os que tem essa vida que
ele nunca terá. E por outro lado, as pessoas boas. Seu ódio com as pessoas tem
um motivo. Quando tinha quatro anos um casal o adotou, e depois de dois meses o
devolveram. Nem ele se adaptou a eles, nem eles a ele. E se livraram dele como
se faz com um incômodo. Desde então sente um ódio profundo pelas pessoas,
sobretudo se são adultos. Mais ainda se eles tem dinheiro. E mostra isso a cada
dia. Também odeia Morales, o diretor do orfanato, porque os explora. Mas claro,
Morales também é adulto, e rico. Por isso é mal.
Ele é Noah, tem 20 anos. O filho consentido de Elena e Justo
García Iturbe, dono da tabacaria mais importante do país. Noah começa a estudar
economia na universidade mais prestigiada e cada do país. Está muito ansioso,
quer começar já. Pelo menos é o que diz. É que Noah não é este cavalheiro inglês que se mostra diante de seu pai. Desde
os 16 anos Noah saiu cada noite de sua vida. Jamais repetiu duas vezes a mesma camisa,
nem duas vezes... a mesma garota. Noah é um predador, as seduz, faz com que se
apaixonem, as utiliza e as abandona. Tem um objetivo com o qual ele está muito
comprometido: chegar aos 500 atos sexuais antes de completar 21 anos. E mantém
a conta com um conta-ganho. Noah também é famoso pelas festas que organiza. As festas
de Noah são lendárias. Sempre são temáticas. A festa do Branco ou Nada, a festa
dos Óculos ou Nada, a festa da Roupa íntima ou Nada... e todas as festas são secretas.
Quando seu pai chega... Claro que Noah só vê a universidade como uma chance de possíveis
festas e novas mulheres para conhecer. Sempre uma vez. Por uma nada, para não
vê-las mais. Como sempre. Ou como quase sempre. Cual é Noah? O cavalheiro
inglês que aparenta ser diante de seu pai? O playboy que organiza uma festa
cada noite? O que coleciona presas? Ou o insensível e irresponsável que não
assumiu seu filho três anos atrás?
Azul, Manuel, Maia, Valentin, Noah. Seis jovens muito
diferentes, mas com algo em comum: Hoje, os seis, vão morrer.
Morrer caindo do alto da própria decadência. Ou morrer no
fundo da mais profunda opressão. Morrer vítima de outra vítima. Ser o agressor
de um agressor. Morrer matando é morrer duas vezes. Morrer não comendo nada...
até não ser nada.
A humanidade tem sobrevivido apesar de si mesma.
Se deixar duas sementes e voltar em um tempo, o que
encontrará?
Uma planta crescendo vigorosa?
Sim, muito bem. E se deixar dois animais, macho e fêmea, e
voltar em um tempo, o que encontrará?
Animais, dessa espécie.
Vida.
Se deixar dois seres humanos, juntos, e voltar em um mês, o
que vai encontra? Apenas um. Ou quem sabe nenhum. Essa é a natureza humana. São
maus, desapiedados, suicidas. O projeto humano falhou desde sua origem, nós
falhamos, falho a criação.
Essa é uma contradição em si mesma, digo, porque tudo criado
é perfeito. Perfeito em sua imperfeição.
A imperfeição dos sereis humanos vai muito mais além dos
limites. Há que aceitá-lo, acabou a humanidade. Não há mais possibilidade. E
estes seis que você elegeu demonstram isso.
Não. Não, não, na. Porque eu escolhi estes seis justamente
por isso. Estas seis vidas perdidas, sem esperança. Porque eu sei que se posso
mudar estes seis, a humanidade terá esperança.
E como pretende fazê-lo?
Com a ajuda de Aliados.
O que é um aliado? Um aliado é esse que vem e nos salva de
nós mesmos. É esse que nos reflete, nos devolve uma imagem do outro lado do
espelho, mesmo que não gostemos. Um aliado é esse que nos dá sustento. Um
aliado é esse que vem e nos tira do poço. Um aliado, é quem nos salva do
naufrágio. Um aliado é alguém que não somos nós, mas quer o mesmo que nós. Um
aliado, é quem nos ajuda a renascer. É um anjo, um companheiro, um sócio, um
protetor, um amigo, um redentor, ou um amor. Tudo isso, e muito mais, é um
Aliado.
Basta clicar nas imagens para ampliá-las.
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